domingo, 12 de outubro de 2014

Clube da Luta de Chuck Palahniuk


Avaliação: ★☆ | 272 páginas; Editora LeYa


A primeira regra do Clube da Luta é que você não fala sobre o Clube da Luta. E a segunda regra do Clube da Luta é que você não fala sobre o Clube da Luta. Mas eu vou quebrar as duas aqui agora.
Uma coisa bem legal dessa edição é o prefácio, onde o autor fala sobre a criação da história e sua repercussão.

"Digo que escrevi aquele livro.
(...)
- Escreveu o quê?
O Clube da Luta, digo a ele.
(...)
- Tinha um livro?
Tinha.
Antes do filme..."

Imagino que a grande maioria das pessoas ao menos já ouviu falar sobre o filme Clube da Luta. Foi por ter gostado bastante dele que fui atrás de ler o livro. E, apesar do livro ser bom, eu confesso que prefiro o filme (desculpe, Chuck).
A história é narrada pelo protagonista de uma forma um pouco diferente, que me incomodou muito. Ele é direto e objetivo, gosto disso, porém ele é um pouco sucinto demais. Ele repete muitas coisas, algo que achei chato. Ele explica nos mínimos detalhes como várias coisas funcionam - algumas pertinentes, outras nem um pouco. E ele não segue uma linha cronológica clara; o narrador pula do futuro para o passado para o presente e etc em um mesmo capítulo. Pelo menos os capítulos são bem curtos, coisa que adoro e, inclusive, agiliza a leitura.
Os personagens que mais aparecem, além do narrador, são Tyler e Marla. Tyler se torna o melhor amigo do protagonista e juntos eles formam o famoso Clube da Luta, onde os homens (nunca apareceu nenhuma mulher) se unem em um porão de bar para lutarem uns com os outros. Marla vive em uma relação perturbada com o protagonista, mas passa as noites com Tyler, portanto sempre aparece na casa em que eles moram juntos. 
Se você ainda não assistiu ao filme, fique tranquilo, eu não darei spoilers. Mas se você viu, sabe que há uma reviravolta na história. Como eu já sabia disso, prestei atenção para ver como o autor desenvolveria isso no livro e foi muito bem feito. É possível perceber que há algo de estranho, pois embora sutil, há pequenos trechos que dão dicas de perturbações na situação. 
Não acho que seja o tipo de história que vá agradar muita gente, por isso fiquei surpresa de saber que tanta gente gosta do filme. O livro é pior, pois apesar do narrador ser sucinto, eu acho mais pesado quando leio a descrição do que ao ver. O personagem corre cada vez mais de encontro à autodestruição e ao niilismo (esse livro é uma forma simples de entender a base desse termo), e mesmo os conceitos explorados sendo absurdos, principalmente quando postos em prática, é muito fácil se identificar e ver sentido no que é colocado. Talvez isso que tenha atraído tantas pessoas, o fato de que vemos um personagem perdendo tudo o que nós, em sociedade, acreditamos importar e, ao mesmo tempo, ganhando uma liberdade avassaladora e sedutora; vivendo no extremo, sem nada a perder. E o fato de que essa personalidade se manifesta em um homem comum.
Eu confesso que prefiro o filme, pois o acho mais fácil de entender e acompanhar, ele é mais claro. Como estamos na cabeça do protagonista, no livro isso acaba sendo um pouco confuso (como eu falei anteriormente, sobre a forma como ele narra a história). Eu me senti muito mais atraída pelo filme (juro que não é por causa do Brad Pitt) do que pelo livro, mas vale muito a pena a leitura. Penso nesse livro até hoje.


6 comentários:

  1. Já tentei assistir ao filme, mas até hoje não consegui. Me sinto meio entediada logo no começo haha Então, por esse fato, já sei que prefiro o livro.
    Eu simplesmente AMO a forma como o Chuck narra suas histórias. Essa quebra de linearidade, de cronologia. Amo! Não li todos os livros dele, mas os três que li, ele não segue uma linha cronológica igual a maioria dos livros. Ele tem uma pegada cômica, que eu adoro! Não é todo livro que me faz rir alto, mas clube da luta conseguiu esse feito. A narração em si é diferente da maioria dos livros mesmo, mas é outra coisa que amei. Me fez ler rápido e morri de pena de terminar a história. Chuck nunca é muito descritivo, mas acho que se ele fosse, perderia a essência e o que ele quer passar pro leitor. Ele não é um escritor nos moldes mais clássicos e conhecidos, mas ainda assim, agrada e prende quase todo mundo que já leu algo dele. E eu acredito que se fosse outro escritor tentando escrever como ele, o resultado não seria tão bom.
    Entendo perfeitamente os detalhes que te incomodou na leitura, são detalhes que eu acho que realmente podem não agradar todo mundo, como me agradaram. Mas fico feliz que tenha curtido o livro mesmo assim haha
    Enfim, discordamos em alguns pontos, deu pra notar, né? KKK Mas gostei da sua resenha. Você foi sincera com o que achou da história.
    ps: eu tenho vontade de assistir ao filme mais pelo brad e pelo outro ator que eu esqueci o nome, do que por qualquer outra coisa kkk e também, porque morro de curiosidade em saber como foi que eles conseguiram fazer o final.
    Mar,
    http://sonambulismoliterario.blogspot.com.br/

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    1. Sério que o Chuck escreve sempre assim? Que droga hahahah Eu tenho MUITA vontade de ler Condenada dele, já leu? Bom, ainda assim eu gostei de Clube da Luta, então vou arriscar ler. E eu só preferi o filme por isso, pra falar a verdade, a escrita dele, porque achei o livro ótimo; inclusive fiquei pensando nele por dias e dias depois de terminá-lo hahaha

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  2. Ah, até hj n vi o filme pq quero bastante ler o livro... O que vc falou vai me deixar um pouco mais receoso, mas gosto disso, baixas expectativas melhoram as surpresas. É uma pena que já sei da reviravolta...

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    1. Deram a mancada de te dar spoilers ou você descobriu sozinho? Eu achei incrível que nunca ninguém nem mesmo deu a entender que havia um plot twist no filme, por mais que eu sempre ouvisse falarem muito bem dele. Me surpreendi com o filme e foi legal ver como ele desenvolveu isso no livro (:

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  3. Amei a resenha! Já estava com vontade de ler/assistir, e isso só aumentou.
    Estou em um dilema entre ler o livro primeiro e assistir o filme depois, ou fazer ao contrário. O que me recomenda?
    Ganhou mais uma seguidora, tanto no blog, quanto no twitter. Beijinhos!

    http://palavras-caidas.blogspot.com.br/

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    1. Olha, eu acho que seria bom você ver o filme primeiro, pelo simples fato de que a linguagem é mais "acessível", digamos. Eu acho mais fácil de você gostar do filme e, só então, se interessar em ler o livro, do que o contrário. A não ser que você já esteja acostumada e goste de escritas mais diferentes.
      Muito obrigada, Júlia! (:

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