segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Seleção de Kiera Cass


Avaliação: ☆ | 368 páginas; Editora Seguinte

Depois de tanto ouvir falarem dessa trilogia, eu enfim li o primeiro livro. Minhas expectativas eram nulas, mas a história se mostrou, de certa forma, cativante.
America vive em Illéa (antigo EUA) em um futuro distópico. A sociedade é dividida em  oito castas e ela pertence à Cinco, uma das mais baixas.
Ela é apaixonada por Aspen, um garoto da casta Seis e após anos se encontrando em segredo e namorando, Aspen decide terminar com America, pois se os dois se casassem, ela seria rebaixada para a casta dele, na qual a situação é muito precária.
Enquanto isso, a monarquia de Illéa prepara uma espécie de reality show para escolher uma garota, de qualquer das castas, para se casar com o príncipe Maxon e se tornar a princesa. A mãe de America e Aspen insistem para que a garota se inscreva, mesmo não sendo sua vontade, pois durante a competição ela seria elevada à casta Três e sua família passaria a receber dinheiro. Com a pressão dos dois e o término com Aspen, America se inscreve e é selecionada. Então ela parte para o castelo para competir com outras 34 garotas pelo coração do príncipe.
Eu gostei de America pelo simples fato de ela ter personalidade e não ser mais uma protagonista bobinha. Apesar de algumas vezes parecer que ela quer se mostrar diferente das outras meninas e isso soar um pouco forçado, de fato ela é, e algumas de suas atitudes me fizeram admirá-la.
Maxon é realmente um príncipe: bonito, gentil e muito educado. Como a própria America ressalta no livro, ele é sério e travado, mas quando age de forma descontraída é apaixonante. Aspen também tem seu charme, mas por toda a situação de sua posição que o frusta e outros acontecimentos, ele se torna um pouco apagado perto de Maxon.
Como romance, esse livro é maravilhoso. Me senti envolvida pelos sentimentos da America, por sua relação com Aspen, com o príncipe e mesmo com as outras garotas. Porém o ponto fraco desse livro é a parte supostamente "distópica". 
Eu já tinha lido e ouvido falar em diversas resenhas que essa história não tinha muito de distopia, mas o enredo foi tão mal feito, que me irritou. Eu gosto bastante de distopias e, por acaso, estava relendo Jogos Vorazes ao mesmo tempo que lia A Seleção, então todas as falhas na parte distópica ficaram ainda mais evidentes.
Ficou claro para mim que a autora não sabe sobre o que está escrevendo. A situação de guerra e ataques rebeldes é colocado de forma tão, mas tão simplificada, que parece brincadeira. O palácio onde vive a família real é atacado constantemente, ou seja, o lugar onde vive apenas as pessoas mais importantes do país tem uma péssima segurança. Chega a ser cômico. O fato dos rebeldes não darem motivo algum para os ataques também é muitíssimo estranho e o rei parece não se importar muito com isso.
O sistema de castas também não me pareceu muito bem elaborado. Um exemplo: a autora colocou professores e escritores numa casta alta (isso soa mais como uma utopia). Um país que sabidamente é invadido por rebeldes, com ideais contrários aos do governo (em tese, porque não se sabe ao certo o que afinal eles tem contra), num universo distópico, que separa sua população por castas, colocar professores, que são a massa intelectual e formadora de opinião em uma casta que lhes dá poder é muito arriscado. A impressão que a organização passa é a de que a autora não teve critério algum na hora de dividir as castas.
Sendo uma competição, eu esperava que as garotas fossem passar por provas para mostrar ao príncipe - e ao país - o porquê de elas serem escolhidas como princesa. No fim das contas, as meninas só fizeram existir no palácio e foram sendo eliminadas por discórdias, mau comportamento ou porque sim.
Desde o começo do livro eu percebi que ele seria muito melhor se a história fosse em alguma época passada. A autora não teria que inventar uma história de guerra e reconstrução do país (que foi fracamente pensada e escrita), pois a própria situação da época já se encaixaria normalmente à Seleção. Se ela ainda quisesse que a competição fosse mostrada como um programa de televisão, ela poderia ter escrito uma história steampunk. Porém eu realmente acho que essa recolocação no tempo teria por si só ajeitado muitos dos problemas desse livro.

O segundo livro da trilogia se chama A Elite e o terceiro A Escolha. Já estou com ambos e lendo A Elite no momento. Logo mais terá resenha deles.

2 comentários:

  1. Olá!
    Assim como você, também senti falta das competições entre as meninas... E este livro me deixou com muita raiva. Na verdade, o que mais me deixou brava foi o segundo, mas este foi o começo de tudo, rs.
    Apesar da raiva e de alguns pontos falhos, eu amo a trilogia, e amei o final. As peças se encaixaram, e tudo ficou mais esclarecido, rs.
    Ótima resenha :D
    Beijos,
    Ana M.
    www.vicioemlivros.com

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    Respostas
    1. Pois é, apesar da raiva, eu também gostei! Achei um livro gostosinho de ler. Terminei a trilogia ontem e, de fato, o final fez sentido - apesar de eu ter achado meio corrido.
      Obrigada! (:

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