domingo, 4 de maio de 2014

Princesa Mecânica de Cassandra Clare

Avaliação: 
[430 páginas; Editora Galera Record]

Princesa Mecânica é o terceiro e último livro da trilogia As Peças Infernais. E devo dizer que foi o mais decepcionante de todos. Já vou avisar que, se você não leu os outros dois livros e não quer spoilers, não leia essa resenha. Afinal esse livro é o último e eu vou ter que falar sobre coisas que aconteceram nos outros.

Nesse livro temos muitos momentos de ação, de romance, de drama e surpreendentes. Algo que me chamou a atenção foi a árvore genealógica logo no início do livro, antes mesmo do prólogo. Ali há um baita de um spoiler da trama, mas nada que não pudesse ser imaginado (vou me abster de mais comentários para não entregar a história, caso alguém queira evitar ler a árvore).
Porém, a batalha final demorou para acontecer e durou pouquíssimo tempo; para um plano tão bem arquitetado, foi relativamente breve o tempo de glória de Mortmain. A solução encontrada para derrotá-lo foi muito bem pensada, mas o leitor mal tem tempo para absorver os acontecimentos e a "guerra" não passa de um rápido massacre.
O fator que mais me irritou durante a leitura desse volume foi a Tessa. Com tantas boas personagens - Sophie, Charlotte, Cecily, Bridget e até mesmo Jessamine -, por que logo ela é a protagonista? Ela não se mostra útil em momento algum, é apenas a donzela em perigo o tempo todo. Suas atitudes não tem profundidade e a autora tenta lhe dar credibilidade através dos comentários de outros personagens, que tentam enaltecer a menina, apesar de ela claramente não possuir nada de especial para ser tão admirada. 
No primeiro livro eu a achei fraca, mas com um potencial enorme para se desenvolver ao longo da trilogia. Porém a única coisa que mudou em sua personalidade é que ela passou a se sentir confortável no Instituto e, portanto, sua arrogância aumentou; de repente, porque recebeu um pouco de treinamento dos Caçadores de Sombras, ela acha que é capaz de fazer tudo e qualquer coisa. E, no fim das contas, sempre que "tenta" fazer algo, convenientemente alguma coisa a impede e ela novamente se torna inútil - em todas as situações. 
Tessa e Jem estão para se casar e mesmo com diversos momentos meigos em que Jem demonstra seus sentimentos a ela, Tessa continua parecer neutra. Quando com ele, não há mudança em seus gestos, em seus pensamentos, ela parece não sentir nada além de uma grande amizade pelo menino. Durante o livro todo Jem pareceu ser apenas um obstáculo insignificante entre Tessa e Will - os verdadeiros apaixonados da história -, quando a meu ver, na verdade, Tessa é que é um empecilho na paixão dos dois. A amizade deles é a coisa mais bela que já vi e, por causa da menina, foi deixada um pouco de lado. Um absurdo tendo em vista tudo o que aconteceu durante a história e a ligação espiritual e antiga entre os dois meninos. 
Algo que achei bom e ruim, ao mesmo tempo: a autora estendeu realmente bastante o final do livro. Ela quis acertar todas as pontas soltas das histórias de todos os personagens. Isso é algo que gosto nesses livros; os personagens secundários também são apresentados e desenvolvidos. Porém ela demorou um número significante de páginas para acertar tudo e isso me entediou um pouco.

A partir desse parágrafo contarei alguns spoilers do terceiro livro. Se você ainda não leu, o post acaba aqui

Algo que realmente me surpreendeu foi Jem ter se tornado um Irmão do Silêncio. Ao mesmo tempo me pareceu que a própria autora ignorou várias de suas próprias regras para fazer com que Jem se encaixasse como ela queria na sua história.
Primeiro, convenientemente, o garoto bonitinho, que era um dos galãs da trama, obviamente não poderia ficar cego e com a boca costurada. Seria horrível deformá-lo! No começo eu aceitei que talvez ele precisava de mais tempo na Irmandade até atingir essa caraterística que todos os Irmãos tem. Mas não. Ele continuou lindo e intocado - com exceção das cicatrizes no rosto, mas e daí? - e me pareceu que isso aconteceu apenas porque ele era um dos pares românticos de Tessa.
Segundo, depois de anos, ele simplesmente escolhe deixar a Irmandade, porque acharam a cura para sua doença. Sinceramente, a Irmandade perdeu muito da credibilidade ao permitir essa "festa"; qualquer um entra e sai quando bem entender? Novamente eu enxerguei claramente a mão da autora mexendo os pauzinhos para que exatamente o que ela queria que acontecesse, acontecesse, ignorando as regras do próprio universo.
O que nos leva para o momento mais falso de toda a história de Tessa. Sendo imortal, ela perde seu marido Will e passa a viver sozinha. Quando Jem reaparece como Caçador de Sombras ao invés de Irmão do Silêncio, Tessa arregala os olhos e parece dar o bote no menino. Aproveitando que ele ainda nutre sentimentos por ela, se diz ainda apaixonada por ele e os dois ficam juntos. 
Durante todo o noivado com Jem, Tessa esteve apaixonada por Will. Assim que os dois ficaram sabendo da morte de Jem, mal o corpo dele havia esfriado, os dois já estavam transando. 
Jem prometeu encontrar Tessa todos os anos, mas seu parabatai não. Se fosse para se arriscar a quebrar regras, ele deveria fazer isso por seu irmão, não? Mas ele escolheu Tessa ao invés de Will. 
Assim que Will morreu e Tessa se viu completamente só, quando Jem ressurgiu - lindo e maravilhoso -, ela o quis de novo. Achei as atitudes de Tessa ao longo de todo esse triângulo amoroso de uma falsidade gigantesca. Ela é incrivelmente interesseira e atrapalhou um dos amores fraternos mais lindos que já vi.

4 comentários:

  1. Ainda não li todo o livro (não me importo com spoiler) e parei justamente na transa de Will e Tessa. O texto é lindo, mas faltou a compaixão pela "morte" de Jem. Tudo bem que a autora escreveu que Tessa não queria que o Magistrado fosse o único a toca-la, mas achei forçado. Gosto da trilogia, porém essa parte achei uma traição a Jem. Uma traição vinda de quem tanto disse que o amava.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Penso o mesmo que você sobre Tessa. Demorei a ler essa trilogia porque não gostava dela, achava uma donzela em apuros, ao contrario de Clary(que adoroooo). E amor dela por Jem, brincadeira, né?. Ela sempre foi apaixonada por Will, apesar de achar Jem um fofo, Tessa não amava ele. Uma forcação de barra. Eu preferia ler mais histórias sobre Will e Jem do que Jem e Tessa.

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  4. Quem leu os instrumentos mortais sabe que a saída de James da fraternidade não foi só pela cura, foi também pela Emma e desde que comecei a ler As Peças Infernais soube que Jem era o irmão Zachariah e o fim de Princesa Mecânica meio que se encaixa com o fim de Fogo Celestial. Queria muito Tessa ficasse com Will também em muitas partes dos livros tive raiva de Tessa pela indecisão dela diferente de Clary que sembre soube de quem realmente gostava que havia ficado com Simon apenas para tentar esquece Jace acreditando que ele era seu irmão. Enfim vou para por aqui por que se não posso o dia todo falando deles sem cansar amo todos.

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