quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Feios de Scott Westerfeld

Avaliação: 
[416 páginas; Editora Galera Record]

Para ser bem sincera, eu não tinha expectativa alguma quanto a esse livro. Ainda bem. Porque apesar de não ser ruim, também não é lá aquelas coisas.
No futuro todas as pessoas, aos 16 anos, passam por uma cirurgia para se tornarem perfeitas esteticamente. Então se mudam para uma cidade onde todos são perfeitos e passam a vida festejando. Tally, a protagonista, está próxima de completar 16 anos e ansiosa para se juntar ao amigo que já se tornou perfeito. 
Tally conhece Shay, outra garota que está prestes a se tornar perfeita, mas que não quer isso. Ela foge da cidade, causando problemas para Tally.
Padrões de beleza é uma questão um pouco clichê nos últimos anos e, por isso, um tema perigoso com o qual trabalhar. O clichê pode ser algo bom, familiar, ou pode ser entediantemente massante. E, no caso desse livro, o achei entediante.
Para não existir mais diferenças entre as pessoas, todas sofrem uma lavagem cerebral (através da educação que recebem desde crianças) para acreditarem que são horríveis e que tudo ficará maravilhoso quando se tornarem perfeitos, como todo mundo. E aí partem para uma cidade onde ninguém faz absolutamente nada - apenas se quiser, quando já na meia-idade. Ou seja, eu simplesmente não entendi como a cidade consegue se manter sem profissionais de todas as áreas. É um futuro repleto de tecnologia, tudo bem, mas ainda assim é preciso que pessoas trabalhem. Achei a ideia toda um pouco forçada demais - ou mal explicada demais, não sei.
O livro é dividido em três partes e a primeira, apesar de bem escrita (Scott não pula de um acontecimento para outro sem desenvolver os fatos, acho isso ótimo), é bem chata.
Tally é uma personagem medíocre. É incrivelmente vazia e isso me irritou profundamente durante o livro todo. Ela é obcecada pela ideia de se tornar perfeita, acha que a única coisa que existe no mundo é se tornar bonita, é uma traidorazinha que nem ao menos sente remorsos. A traição principal eu até consegui compreender, tinha algo realmente importante para ela em jogo. Mas a segunda (não vou contar, porque seria spoiler, acredito eu) não tem motivo aparente. Ela faz simplesmente por fazer, porque parece que nem ao menos tem sentimentos envolvidos na história. Aliás, a única coisa que ela parece sentir é medo; é uma covarde. Não tem questionamentos, não tem nada acontecendo naquela cabecinha. Ela é completamente passiva diante dos acontecimentos externos. Totalmente sem graça.
David tinha tudo para ser um ótimo personagem, mas se mostrou um iludido ingênuo, vendo Tally como alguma espécie de heroína super aventureira (coisa que o autor tenta convencer o leitor a acreditar, mas não deu certo comigo) e que ela, definitivamente, não é.
A única personagem de que eu realmente gostei e achei verdadeira foi a Shay, que é deixada de lado de uma maneira revoltante.
Apesar de tudo isso, continua sendo uma distopia, gênero de que eu gosto, com questões sociais e políticas postas em foco. Porém esse livro não é nem de longe o melhor exemplo do gênero.

PS.: Apesar de estar esperando que acontecesse nesse livro o que, pelo visto, acontecerá no próximo, não pretendo ler a continuação. 
O segundo livro chama-se Perfeitos, o terceiro Especiais e o quarto Extras.

2 comentários:

  1. Oi,
    Desisti desse livro pq as resenhas não eram mt positivas e lendo essa resenha estou mais feliz por minha decisão!Rsrs
    Bjs!
    Viciados Pela Leitura

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    Respostas
    1. Pior que toda resenha que eu já vi era super positiva! Estava me sentindo a ~chata~ hahahah

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