sábado, 24 de agosto de 2013

Hemlock Grove de Brian McGreevy

Avaliação: 
[340 páginas; LeYa]

Admito: eu tinha enormes expectativas quanto a esse livro. Há semanas eu procurava por um livro com uma história sobre lobisomens, mas que não fosse um romance meloso para adolescentes. De cara, a sinopse desse livro me prometeu o que eu queria. Assim que li a primeira página, vi que ele não era nada do que eu esperava.
A primeira coisa que veio à minha mente foi "parece um True Blood de lobisomens, só que ruim". Apesar de eu nunca ter lido os livros de True Blood, eu assistia à série, e o estilo de Hemlock Grove é um tanto similar. É descontraído, é sincero, um pouco grotesco, com muito sexo e palavrão.
Algo que realmente acho interessante; detesto pessoas que insistem em escrever "difícil" para parecerem intelectuais ou sabe-se lá o que. A escrita de Brian intercala o coloquial com frases poéticas e profundas, sem exageros.
Porém, achei o uso de palavrões excessivo. Veja bem, eu não tenho nada contra palavrões, acho mesmo que devem ser usados, dá um tom de veracidade, de conversa casual com o leitor. Mas quando a cada merda de frase da bosta do parágrafo o filho da puta enfia a porra de um palavrão (entenderam?), fica forçado e é totalmente desnecessário.
Outra coisa que me irritou na escrita do autor é que ele repete muito as palavras. Ele não parte de sinônimos para deixar a frase mais harmoniosa, simplesmente recicla a palavra ou nome do personagem até não querer mais.
Logo no começo, essa característica me irritou profundamente e me fez criar um certo nojo do escritor e do livro: a maioria (para não generalizar e dizer todos) dos personagens masculinos são uns babacas grosseiros. A maioria das femininas são umas submissas, bobas, que aceitam serem maltratadas como se isso fosse algo normal. E todas elas foram, pelo menos uma vez, chamadas de vadia ou puta ou vagabunda. Esses xingamentos se repetem durante o livro todo, não só através dos personagens, como também do narrador - o autor.
De fato, esse livro está longe de ser um romance romântico. Na verdade, há tão pouco sentimento, e o pouco que tem, tão friamente explorado e exposto, que eu achei insensível demais.
Enquanto eu estava lendo, eu decidi assistir ao primeiro episódio do seriado. Em apenas UM episódio eu consegui entender muito melhor o que o livro - já na metade - tinha tentado me transmitir. Talvez porque eu não tenha me dado bem mesmo com a escrita desse autor. Achei-a bagunçada demais, com pouco aprofundamento. Ele descreve pensamentos, até mesmo sentimentos e sensações, mas é tão raso emocionalmente que faz parecer que os personagens não tem vida, não tem essência.
A sensação que tive, do começo ao fim da leitura, foi a daquela péssima situação de você estar com dois amigos que não param de trocar piadas internas entre si, sem nem ao menos compartilharem a história com você. O autor joga falas e ações rápidas e sem sentido, sem criar mistério ou te seduzir a se interessar e ficar curioso. Algumas coisas são explicadas depois; a maioria não. Outras ainda parecem ter sido inseridas por pura aleatoriedade.
Algo que achei diferente e me desagradou: a escrita de Brian é quase cinematográfica. Não é a toa que existe uma série de televisão baseada nesse livro. As cenas são descritas com rapidez e deixam muito "no ar", sem explicação imediata, muitas vezes até espontâneas e sem relevância. Há várias histórias se desenrolando paralelamente e a cada momento o autor nos leva para algum desses "núcleos". Tem uma lógica visual - apesar de traduzida verbalmente - muito parecida com a arte do cinema. Eu não entendo o porquê disso, afinal trata-se de literatura, uma linguagem que funciona de outra maneira. Acho interessante essa mistura, mas particularmente eu não gostei.
O que me deixou um pouco entediada foi o fato de haver lobisomens na história, eles serem mencionados o tempo todo, mas aparecerem muito pouco - quase nada.
Mas eu gostei do final. Na minha opinião, foi o melhor momento do livro todo. Houve ação, resolução, aparição de lobisomens (até que enfim!) e foi um desfecho interessante para a história principal, que envolvia o assassinato de diversas garotas na cidade, supostamente atacadas por um animal.
Porém, de forma geral, achei um livro fraco, com uma história repleta de pormenores que, pelo visto, não eram tão importantes, afinal o autor não se aprofundou em nenhum deles, e com um foco principal que se estendeu pelo livro todo, só promovendo certa emoção no final.

2 comentários:

  1. Como é chato quando isso acontece!
    Enfim, que outas leituras melhores venham!
    Beijos
    Rizia - Livroterapias

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  2. Hahahaha gostei da resenha, sincera e cheia de "raiva" rsrs
    Eu quero ler esse livro apesar de tudo. Bem é sempre meio estranho ler a primeira obra de alguem, por exemplo o mestre King em Carrie nota-se o quão cru ele era na época mas evoluiu muito com o tempo. Hemlock é o primeiro livro do Brian e acredito que isso tira um pouco da mágica que o livro pode trazer. Talvez não tenha aproveitado o tema tanto quanto um autor experiente aproveitaria mas sei lá... a capa me chama a atenção rs
    Quanto a escrita eu já me acostumei com quase todos os tipos delas desde a mais detalhista até a brutalmente minimalista. Depende muito da mente do leitor se envolver com a história ou não rs Indico a você a leitura de A Estrada de Cormac MacCarthy ele possui uma maneira de escrever totalmente diferente da que vc ja leu
    Fiz uma resenha dele há tempos atrás no meu blog, talvez curta o estilo dele:
    http://bibliotecadoterror.blogspot.com.br/2012/09/resenha-estrada-cormac-mccarthy.html
    Abração

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